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Atualizado em
22/10/2026

CID 10 – C50
O câncer de mama é uma doença multifatorial, associada à interação entre fatores genéticos, hormonais, reprodutivos, ambientais e relacionados ao estilo de vida. Entre os principais fatores de risco não modificáveis, destacam-se o sexo feminino, a idade avançada e a história familiar de câncer de mama ou de ovário. Mutações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2 também aumentam significativamente a predisposição à doença.
Os fatores hormonais e reprodutivos exercem influência importante no desenvolvimento do câncer de mama, como:
• a menarca (primeira menstruação) precoce;
• a menopausa tardia;
• a nuliparidade (mulher que nunca deu à luz);
• a primeira gestação a termo em idade avançada.
Esses fatores estão associadas ao aumento do risco, devido, entre outros mecanismos, à exposição hormonal cumulativa. Em contrapartida, a amamentação apresenta efeito protetor. O uso de terapia hormonal combinada na pós-menopausa também pode elevar o risco, especialmente conforme a duração do tratamento.
Outros fatores relevantes incluem a densidade mamária elevada, antecedentes pessoais de câncer de mama, lesões proliferativas com atipia e exposição prévia à radiação ionizante na região torácica, principalmente durante a juventude.
Entre os fatores modificáveis, destacam-se o consumo de bebidas alcoólicas, o sedentarismo e a obesidade, sobretudo após a menopausa. Nesse período, o tecido adiposo constitui uma importante fonte de produção periférica de estrogênios, contribuindo para o aumento do risco. Dessa forma, a prática regular de atividade física, a manutenção do peso adequado e a redução do consumo de álcool são medidas importantes para a prevenção.
É fundamental ressaltar que a presença de fatores de risco não determina necessariamente o desenvolvimento da doença, assim como sua ausência não elimina essa possibilidade. Portanto, reconhecer esses fatores permite individualizar a avaliação clínica, identificar pessoas com maior predisposição e orientar estratégias adequadas de prevenção e rastreamento.
O rastreamento do câncer de mama é fundamental para a detecção precoce da doença, pois permite identificar alterações suspeitas em mulheres assintomáticas, antes do surgimento de manifestações clínicas. Sua principal importância está relacionada à redução da mortalidade, ao aumento das possibilidades de tratamento curativo e à potencial redução da morbidade associada à doença, contribuindo para melhores desfechos clínicos e qualidade de vida.
A mamografia é o principal método de imagem utilizado para o rastreamento, por possibilitar a identificação de lesões impalpáveis, microcalcificações e outras alterações sugestivas de malignidade. A periodicidade e a faixa etária recomendadas para sua realização devem considerar as diretrizes vigentes e o perfil de risco individual. Mulheres com histórico familiar significativo ou predisposição genética podem necessitar de estratégias diferenciadas de rastreamento.
Entre os principais benefícios estão a redução da mortalidade por câncer de mama, a possibilidade de diagnóstico em estágios iniciais e a maior probabilidade de tratamentos menos agressivos, incluindo cirurgias conservadoras e menor necessidade de terapias sistêmicas mais intensivas, conforme as características do tumor.
Entretanto, o rastreamento também apresenta riscos. Os resultados falso-positivos podem gerar ansiedade, necessidade de exames complementares e realização de biópsias que posteriormente descartam malignidade. Os resultados falso-negativos, por sua vez, podem proporcionar falsa sensação de segurança e atrasar o diagnóstico. Outro aspecto relevante é o sobrediagnóstico (overdiagnosis), caracterizado pela identificação de tumores que não causariam manifestações clínicas durante a vida da paciente, podendo resultar em sobretratamento (overtreatment). Além disso, a exposição à radiação ionizante é um risco potencial, embora a dose utilizada na mamografia seja baixa.
Assim, o rastreamento deve ser realizado de maneira individualizada e fundamentada em evidências científicas, considerando a relação entre benefícios e riscos e favorecendo decisões compartilhadas entre profissionais de saúde e pacientes.
As recomendações para o início e a periodicidade do rastreamento mamográfico variam entre as organizações de saúde, em razão das diferenças na interpretação das evidências científicas e do equilíbrio entre os benefícios e os riscos associados ao exame.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR) recomendam o início do rastreamento aos 40 anos, com realização anual da mamografia.
Por sua vez, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) tradicionalmente recomenda a realização de mamografia a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos. Essas diferenças refletem estratégias distintas de rastreamento e de organização dos serviços de saúde, considerando a redução da mortalidade, a incidência da doença em cada faixa etária e os possíveis efeitos adversos do exame. A definição da estratégia de rastreamento deve considerar as diretrizes vigentes e as características da população atendida.
As manifestações clínicas do câncer de mama variam conforme o estágio da doença, podendo estar ausentes nas fases iniciais. Quando presentes, incluem nódulo mamário endurecido, geralmente indolor e de contornos irregulares, alterações no formato ou tamanho da mama, retração cutânea, alterações do complexo areolopapilar e secreção papilar espontânea, especialmente sanguinolenta ou unilateral.
A presença de linfonodos aumentados na região axilar também pode indicar comprometimento linfonodal. Em estágios avançados, podem ocorrer ulcerações, edema, vermelhidão e espessamento cutâneo, caracterizando o aspecto de pele em casca de laranja.
O diagnóstico inicia-se pela anamnese e pelo exame clínico das mamas e das regiões axilares e supraclaviculares. A investigação é complementada por exames de imagem, como mamografia e ultrassonografia mamária, selecionados conforme a idade, as características clínicas e a natureza da alteração identificada. A ressonância magnética pode ser indicada em situações específicas, como na avaliação de pacientes com alto risco, na investigação de achados inconclusivos ou no planejamento terapêutico.
A confirmação diagnóstica é realizada por meio da análise histopatológica de uma amostra de tecido obtida por biópsia, preferencialmente por agulha grossa (core biopsy), quando indicada. Após a confirmação, são avaliados o tipo histológico, o grau tumoral e os biomarcadores, incluindo os receptores hormonais de estrogênio e progesterona e a expressão ou amplificação do HER2. Essas informações são essenciais para estabelecer o prognóstico, definir o subtipo biológico do tumor e orientar a escolha do tratamento.
O tratamento do câncer de mama é individualizado e depende de fatores como o estadiamento da doença, o tipo histológico, o grau tumoral, o perfil molecular da neoplasia, a expressão dos receptores hormonais e do HER2, além das condições clínicas e das preferências da paciente.
A abordagem terapêutica pode incluir cirurgia, radioterapia e tratamento sistêmico, que compreende quimioterapia, hormonioterapia e, em casos selecionados, imunoterapia.
Nos estágios iniciais, o tratamento geralmente envolve cirurgia conservadora da mama ou mastectomia, conforme as características do tumor e as condições clínicas da paciente, podendo ser associada à radioterapia. A terapia sistêmica pode ser indicada antes da cirurgia, com finalidade neoadjuvante, ou após o procedimento cirúrgico, como tratamento adjuvante, para reduzir o risco de recorrência.
Nos casos de doença localmente avançada ou metastática, a estratégia terapêutica é definida de acordo com a extensão da doença, o subtipo molecular e os objetivos do tratamento, priorizando o controle tumoral, o prolongamento da sobrevida e a qualidade de vida. Dessa forma, a definição da conduta deve ser multidisciplinar e individualizada, considerando os benefícios esperados e os possíveis efeitos adversos de cada modalidade terapêutica.
O IDOMED oferece diferentes possibilidades de Educação Continuada para médicos que desejam ampliar seus conhecimentos no cuidado à saúde da mulher. A Pós-Graduação em Ginecologia Ambulatorial combina conteúdos teóricos online com atividades práticas presenciais supervisionadas com pacientes reais, estudos de casos e treinamento em procedimentos ginecológicos, com vivências realizadas em ambulatórios e unidades de saúde parceiras.
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• Chefe do Setor de Patologia do Trato Genital Inferior do HUCFF-UFRJ
• Prof. responsável pela disciplina de Saúde da Mulher da Universidade Estácio de Sá - Campus Cittá América
• Coordenadora Nacional dos Cursos de Pós-graduação em Ginecologia do IDOMED
• Membro Titular (Cadeira 81) da Academia de Medicina do Rio de Janeiro.
• Membro Titular da ISSVD - International Society for the Study of Vulvaginal Disease.
• Diretora da SGORJ e da ABPTGIC.
• Membro do Conselho Editorial da Revista Femina (Publicação da Febrasgo), do JBG (Jornal Brasileiro de Ginecologia) e da Revista Gestão em Saúde da Editora DOC.
• Ginecologista - Obstetra
• Professora de Propedêutica da UNESA - Campus Cittá América
• Pós-graduação em Ginecologia Endócrina
• Mestranda da UFRJ
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