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Carreira na área da saúde: o dilema entre assistência e gestão

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5 minutos

Atualizado em

15/05/2026

Carreira na área da saúde: o dilema entre assistência e gestão

Quais os possíveis fatores que influenciam a escolha da carreira de medicina?

Quando conversamos com os candidatos aos nossos MBAs de Gestão em Saúde, é comum ouvirmos que estão exaustos, que a jornada de atendimento médico é insana, a responsabilidade imensa e nem sempre a remuneração justifica todo o esforço.

Neste ponto, pedimos a eles que façam um exercício retrospectivo e digam exatamente como foi o processo de decisão sobre suas carreiras. Quais eram as expectativas e os sonhos? Como imaginavam os longos anos de graduação, a residência, a prova de título? Ou seja, como imaginavam que seria o “durante e o após” a formação em medicina?

Parte deles decidiu seguir os passos da família — avós, pais, tios ou outros familiares médicos. Teoricamente, seria mais fácil, principalmente no interior, onde as famílias já são conhecidas e os pacientes são praticamente herdados.

Outros, embora por caminhos diferentes, fizeram suas escolhas pensando no prestígio que a profissão traz, além de terem certa familiaridade com algumas áreas de estudo dentro da medicina. Acreditavam que, embora não fosse uma escolha do coração, ao longo do exercício profissional a medicina iria se encaixar em suas vidas e ocupar um lugar relevante, ganhariam respeito e um certo poder. Dizem isso com certo desconforto assumido.

Um outro grupo é formado por aqueles que sonhavam ser médicos desde pequenos, lutaram muito para conseguir entrar em uma boa escola de medicina. Muitas vezes, só conseguiram entrar após vários anos de tentativas seguidas e nem sempre na escola dos sonhos. Alguns são os primeiros da família a ter um diploma de nível superior.

Esse grupo, curiosamente, é o que pode ser descrito quase como fruto de uma escolha mútua: eles escolheram a medicina, mas a medicina também os escolheu.

Há, ainda, candidatos que apresentam um pouco de cada uma dessas nuances.

Mas o fato é que, independentemente das motivações, o início de todos é muito parecido:

· plantões em unidades de saúde pública ou privada;

· formação de clientela;

· definição da especialidade;

· longas jornadas de trabalho;

· participação em seminários e congressos para atualização;

· pesquisa;

· vivência concreta dos erros e acertos;

· aprendizado diário de como lidar com a dor.

E chega o momento em que o profissional descobre que foi preparado e capacitado para lidar com a etiologia das doenças, com técnicas supermodernas de diagnóstico e com equipes clínicas altamente especializadas, mas não foi treinado para liderar e gerenciar pessoas.

Ele percebe que esse despreparo é transversal ao exercício da profissão: há momentos em que precisa lidar com a dor ou resistência do paciente, da família do paciente, com a equipe de enfermagem, com fornecedores de insumos clínicos, farmacêuticos ou hospitalares. Enfim, descobre que precisa desenvolver outras competências que não são apenas técnicas, como finanças, tecnologia, logística e governança, mas também competências comportamentais e de liderança.

Como a mudança no curriculum, ou seja, na grade de conteúdos dos cursos de medicina, pode contribuir para preparar de forma mais realista os estudantes que se preparam para exercer esta profissão?

Da descoberta dessas lacunas na formação dos profissionais de saúde surge a necessidade de revisitar o conteúdo dos programas de Gestão em Saúde.

Construir um curriculum que integre diferentes dimensões — sejam elas técnicas, sociais, emocionais ou até mesmo espirituais, em alguns casos — possibilita oferecer aos profissionais de saúde ferramentas e alternativas para fortalecer seu desenvolvimento ou ter coragem suficiente para fazer uma expressiva mudança de trajetória.

Refletir e ponderar sobre o seu momento de carreira é o objetivo deste texto.

Conceitos e prática médica, aliados ao aprendizado da gestão de recursos — sejam eles humanos, materiais ou financeiros —, complementados por competências relacionais que promovam o atendimento humanizado e atento das pessoas, podem ser o princípio de uma mudança significativa na forma como a saúde é vista pelos principais interessados: o paciente.

Como os profissionais de medicina podem equilibrar as demandas de assistência e gestão na sua carreira

Isso dependerá muito do estágio da carreira em que o profissional se encontra. Para alguns, a prioridade pode ser a assistência direta ao paciente, enquanto para outros, a gestão pode ser mais atraente.

No entanto, é importante reconhecer que ambas as áreas são fundamentais para a saúde e o bem-estar dos pacientes.

Uma estratégia para equilibrar essas demandas é buscar oportunidades de desenvolvimento em ambas as áreas, seja por meio de cursos, treinamentos ou experiências práticas.

Além disso, é fundamental ter uma rede de apoio e mentores que possam ajudar a navegar e experimentar essas escolhas, avaliando, para além dos prós e contras que passam muitas vezes pelo retorno financeiro e pelos diferentes desafios, a importância de identificar se o profissional tem as habilidades técnicas, comportamentais e de liderança que a carreira em gestão exige.

Os programas de voluntariado também podem representar um bom laboratório para esses movimentos na carreira. A disrupção nem sempre é confortável e tem seu custo.

Quais são os principais desafios e inseguranças que os profissionais de medicina enfrentam ao transitar da assistência para a gestão?

Um dos principais desafios é a mudança de mindset. A assistência é frequentemente focada no indivíduo e nos aspectos relacionados com a saúde física, enquanto a gestão envolve uma visão mais ampla, considerando sistemas, processos e equipes.

Além disso, os profissionais de medicina podem sentir falta da interação direta com os pacientes e questionar se estão fazendo uma diferença tangível ao lidar, aparentemente, com aquilo que julgam não ser o objeto principal da saúde.

Prestígio, status e reconhecimento intelectual também podem pesar na decisão, ainda que nem sempre sejam fatores assumidos ou reconhecidos como determinantes. É o que chamamos de fatores subjetivos.

A gestão também exige habilidades diferentes, como liderança, comunicação eficaz e tomada de decisões estratégicas, que podem não ter sido enfatizadas na formação médica.

Superar esses desafios requer compromisso com o aprendizado contínuo e a busca de feedback construtivo e propositivo por parte dos pares, colegas e dos próprios gestores. Requer humildade para aprender e olhar, a partir de outro prisma, os mesmos temas que antes eram vistos apenas sob a ótica médica.

Como a tecnologia está impactando a relação entre assistência e gestão na área da saúde?

A tecnologia está revolucionando a área da saúde, permitindo que os profissionais de medicina acessem dados mais precisos e em tempo real, o que pode melhorar a tomada de decisões tanto na assistência quanto na gestão.

Além disso, a telemedicina e outras inovações estão mudando a forma como a assistência é entregue, permitindo que os profissionais de medicina sejam mais eficientes e alcancem mais pacientes.

Por outro lado, a gestão se beneficia de sistemas de informação mais robustos, que ajudam a otimizar processos, reduzir custos e melhorar a qualidade do cuidado prestado a esses pacientes.

Quais são as perspectivas futuras para os profissionais de medicina que escolhem a gestão como carreira?

As perspectivas são promissoras. Com a crescente complexidade dos sistemas de saúde, há um aumento da demanda por líderes que possam gerenciar equipes multidisciplinares, tomar decisões com base na análise de informações e impulsionar a inovação.

Os profissionais de medicina que escolhem a gestão podem encontrar oportunidades em:

· hospitais;

· empresas de saúde;

· organizações governamentais;

· consultorias;

· outros espaços estratégicos do setor. Além disso, a combinação de conhecimento clínico com habilidades de gestão pode posicionar esses profissionais como líderes valiosos em suas organizações.

Considerações finais

Quer ampliar sua visão sobre o setor da saúde e desenvolver competências para atuar de forma estratégica na assistência e na gestão? Conheça o MBA Executivo em Gestão de Saúde do IDOMED, formação voltada ao desenvolvimento de lideranças capazes de integrar conhecimento técnico, visão sistêmica e tomada de decisão.

Sobre a autora

Leila Barbosa | CONRE 69023

· Graduada em Estatística pela ENCE-RJ e em Psicologia pela Faculdade Salesiana de Lorena

· Especialização em Psicanálise de Grupo pela Escola Paulista de Medicina

· Pós-Graduação no Programa Avançado em Negócios Internacionais pela Fundação Dom Cabral Extensão em Global Finance pela Stern School of Business – NYU.

· Atualmente é Head de Education na Talent Education Tecnologia e Aceleração Digital

· Atua também como coordenadora técnica e docente do IDOMED e do IBMEC, ambos do Grupo YDUQS.

· Docente convidada pela FATEA, FIA/USP, ESPM e UNISUAM.

· Sua experiência abrange 11 anos no IBGE e atuação nos setores: aeroespacial, varejo, automotivo e financeiro. Formação em Coach executivo e empresarial pela ABRACEM.

· Sócia da FMR Knowledge & Research desde 1996 e da PurpleBag Films & Productions desde 2015.

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