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Atualizado em
28/08/2026

Tudo começa com uma formação sólida na graduação: a base do conhecimento médico é primordial. O estudo da clínica cirúrgica, o conhecimento das doenças e de suas opções de tratamento são adquiridos na faculdade, não só nos livros, mas no dia a dia. Um cirurgião, antes de tudo, precisa ser um excelente clínico. Ele tem que formar o raciocínio clínico e desenvolver a habilidade de discutir o caso com os seus pares de diferentes especialidades.
Ainda na graduação, o período do internato é um momento ímpar para adquirir as habilidades de cuidar de um paciente e se habituar ao ambiente do centro cirúrgico, que tem suas peculiaridades. É um privilégio conviver em um serviço de cirurgia e compreender a hierarquia: reconhecer a importância do professor titular, dos professores auxiliares (que algumas vezes também estão em fase de amadurecimento), dos staffs, dos residentes e da equipe multidisciplinar envolvida no atendimento ao paciente cirúrgico.
É no internato da graduação, indo à enfermaria todos os dias, que o aluno irá aprender a ver o paciente, extrair as informações em uma anamnese e medicar, tudo isso em um ambiente de ensino e com supervisão. O interno presente adquire conhecimento em todos os momentos, inclusive com a equipe de enfermagem: na lida à beira do leito, na avaliação de curativos, no tratamento das feridas, na colocação de sondas e na mobilização do enfermo.
O bom interno, aquele que se dedicou e aproveitou o seu tempo na faculdade, chega às próximas etapas da formação com muita vantagem. Não é infrequente ver residentes e pós-graduandos, já médicos formados, que não conseguiram adquirir essas habilidades no internato e têm que fazê-lo depois, no momento em que deveriam estar aprendendo as especificidades da especialidade.
Após a graduação, o caminho natural para a formação do cirurgião é a residência médica na área cirúrgica à qual se pretende dedicar, ou a Pós-Graduação/Fellowship Lato Sensu em cirurgia ou fellow de áreas específicas.
Nas áreas cirúrgicas, a residência médica, a Pós-Graduação/Fellowship Lato Sensu e o fellow representam formas distintas de formação após a graduação em Medicina, pois possuem diferenças em sua forma estrutural.
A residência médica é considerada o padrão-ouro da formação médica no Brasil. Trata-se de um treinamento oficial, regulamentado pelo Ministério da Educação e realizado em hospitais credenciados, com supervisão constante e intensa prática assistencial. O ingresso ocorre por meio de processo seletivo concorrido, e o médico residente recebe bolsa durante o período de formação, que normalmente exige dedicação de cerca de 60 horas semanais. Na Cirurgia Geral, a residência costuma ter duração de três anos e permite posterior ingresso em subespecialidades cirúrgicas. Ao final do programa, o médico obtém certificado reconhecido de especialista.
Já a Pós-Graduação/Fellowship Lato Sensu, geralmente oferecida por instituições privadas, não equivale automaticamente à residência médica. Os programas incluem atividade prática, com certificação Lato Sensu reconhecida pelo MEC, mas sua estrutura e carga de treinamento em serviço costumam variar entre os programas. É importante conhecer os programas e ter contato com ex-alunos para avaliar o curso. Na área cirúrgica, isso é especialmente relevante, pois a formação depende de alto volume de procedimentos supervisionados.
O aluno normalmente paga mensalidade para participar da Pós-Graduação/Fellowship Lato Sensu. O certificado obtido não confere automaticamente título de especialista reconhecido pelas entidades médicas. Após o término, é preciso prestar concurso para Título de Especialista, via sociedade médica da especialidade credenciada pela AMB.
A Pós-Graduação/Fellowship Lato Sensu é um caminho alternativo à Residência Médica para aqueles indivíduos cuja disponibilidade de tempo não seja integral. Também vem oferecer treinamento em especialidade e suplementar as vagas de residência médica, que não são suficientes à demanda de formandos.
O fellow, por sua vez, corresponde a um treinamento complementar realizado após a residência, com foco em aprofundamento técnico em áreas específicas da cirurgia, como cirurgia bariátrica, hepatobiliar, trauma, cirurgia minimamente invasiva ou robótica, entre outras. Trata-se de uma etapa de subespecialização que busca aperfeiçoar habilidades já adquiridas.
O processo de seleção para residência médica em Cirurgia no Brasil, especialmente para Cirurgia Geral — que é a principal porta de entrada para as especialidades cirúrgicas —, segue um modelo relativamente padronizado, embora cada instituição possa ter regras próprias definidas em edital.
Para participar do processo seletivo, o candidato precisa ter diploma de Medicina reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) ou estar em fase de conclusão do curso, conforme permitido pelo edital, além de possuir registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM). Médicos formados no exterior precisam revalidar o diploma no Brasil antes de se inscrever.
As seleções podem ocorrer por meio de editais próprios de hospitais e universidades ou através de processos unificados. Um dos principais modelos unificados é o Exame Nacional de Residência (ENARE), que permite ao candidato concorrer a vagas de diversas instituições utilizando uma única prova, sendo a escolha das vagas feita conforme a classificação do candidato.
A concorrência costuma ser elevada, principalmente em grandes centros e hospitais renomados, o que leva muitos candidatos a realizarem cursos preparatórios e treinamentos específicos para as provas de residência.
Após a conclusão da residência médica ou de uma Pós-Graduação/Fellowship Lato Sensu, o cirurgião alcança um nível importante de formação, que permite sua inserção no mercado de trabalho. No entanto, afirmar que ele está completamente pronto para atuar de forma plena e independente depende de fatores adicionais ligados à experiência prática, ao ambiente de atuação e ao contínuo aperfeiçoamento profissional.
A residência médica ou Pós-Graduação/Fellowship Lato Sensu que ofereça treinamento intensivo em serviço, grande volume de atendimentos e supervisão constante costuma proporcionar uma transição mais segura para a prática profissional autônoma. Ainda assim, mesmo após a residência, é comum que o jovem cirurgião leve alguns anos para consolidar sua segurança técnica e maturidade profissional, pois muitas habilidades se refinam apenas com a prática continuada.
Nos primeiros anos após a formação, é recomendável que o profissional procure integrar-se a equipes ou serviços mais experientes, trabalhando ao lado de cirurgiões mais antigos e tendo a oportunidade de aprender com profissionais que já vivenciaram um grande número de situações clínicas e cirúrgicas. A cirurgia guarda semelhança com o aprendizado de um ofício artesanal: exige convivência, observação e prática contínua ao lado de mestres mais experientes.
Além disso, o mercado atual exige do cirurgião muito mais do que habilidade operatória. Competências como comunicação com pacientes e equipes, gestão de serviços, tomada de decisões baseadas em evidências científicas, atualização tecnológica e compromisso permanente com a segurança do paciente tornam-se cada vez mais importantes. Muitos profissionais optam ainda por realizar fellowships ou subespecializações para adquirir diferenciais técnicos e ampliar oportunidades profissionais.
Dessa forma, pode-se afirmar que a residência médica ou a pós-graduação representa o início efetivo da vida profissional cirúrgica, mas não seu ponto final. A formação do cirurgião é contínua e se consolida ao longo dos primeiros anos de atuação, combinando experiência prática, atualização científica e desenvolvimento de habilidades humanas e profissionais.
A trajetória de formação em cirurgia pode continuar por diferentes caminhos após a graduação. Entre as opções do IDOMED estão o Fellowship em Cirurgia Geral e o Fellowship em Cirurgia Laparoscópica, com propostas voltadas a diferentes etapas do desenvolvimento profissional na área cirúrgica.
O Surgbook complementa esse percurso como uma plataforma de educação cirúrgica, reunindo vídeos e conteúdos de diferentes especialidades para estudo e atualização ao longo da carreira.
**Dr. Fernando Madureira | CRM - 5269366-9 **
• Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000).
• Mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2008)
• Doutor em ciências cirúrgicas pela UFRJ (2013). É professor Associado 3 do curso de Cirurgia Geral da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO-
• Professor/Coordenador do curso de pós-graduação em Cir Geral da PUC-Rio. Membro titular do CBC, do CBCD, da SOBRACIL, da SBH e FACS.
• Cirurgião de referência do Hospital das Américas e Hospital Copa Star.
• Cirurgião certificado pela Intuitive Inc. desde 2012 para realização de cirurgia Robótica. Foi orientador do programa de cirurgia robótica do HNMD, HFAG