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Atualizado em
12/05/2026

CID 10 – K40.0 - 40.9
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento das hérnias de parede abdominal são:
• sexo masculino, pela maior prevalência na população masculina;
• obesidade, que promove aumento da pressão intra-abdominal e fragilidade da musculatura abdominal;
• idade avançada, com maior incidência em idosos devido à perda de tônus e integridade das estruturas anatômicas;
• crianças de 0 a 5 anos, com maior risco de hérnia inguinal indireta devido à persistência do processo vaginal.
Outros fatores incluem:
• história familiar de hérnia, especialmente em parentes de primeiro grau;
• distúrbios de síntese ou estrutura do colágeno, relacionados principalmente à hérnia inguinal direta por fragilidade da parede posterior;
• prostatismo;
• cirurgias abdominais prévias, que aumentam o risco por esforço miccional ou alteração anatômica local.
A hérnia femoral, apesar de ser mais comum em mulheres, não é a hérnia mais comum da mulher — essa posição é ocupada pela hérnia inguinal indireta.
Ressalta-se também a relação direta entre aumento da pressão intra-abdominal e risco de formação herniária, como ocorre em pacientes com:
• tosse crônica;
• constipação;
• ascite;
• gestação.
O entendimento dos reparos anatômicos é fundamental na avaliação das hérnias.
Os principais marcos anatômicos da região inguinofemoral incluem:
• o ligamento inguinal, estrutura inferior de referência que separa as hérnias inguinais das femorais;
•o músculo reto abdominal, cuja borda lateral compõe o limite medial do triângulo de Hasselbach;
• os vasos epigástricos inferiores, que delimitam medial e lateralmente a passagem do canal inguinal;
• os vasos femorais, localizados no compartimento femoral, sob o ligamento inguinal.
O triângulo de Hasselbach é formado por:
• ligamento inguinal, inferiormente;
• músculo reto abdominal, medialmente;
• vasos epigástricos inferiores, lateralmente.
Essa é a área clássica de ocorrência das hérnias inguinais diretas.
O orifício femoral localiza-se abaixo do ligamento inguinal, adjacente aos vasos femorais, constituindo o sítio da hérnia femoral.
O canal inguinal é uma estrutura tubular tridimensional que comunica a cavidade abdominal com a região escrotal nos homens e, na mulher, acomoda apenas o ligamento redondo.
No sexo masculino, suas principais estruturas são:
• o ducto deferente, cuja lesão pode causar infertilidade;
• a artéria testicular;
• a veia testicular, incluindo o plexo pampiniforme, cuja lesão pode originar hematoma e estase venosa;
• o ramo genital do nervo gênito-femoral, responsável pela sensibilidade escrotal.
O canal inguinal possui:
• um orifício interno (profundo), situado lateral aos vasos epigástricos;
• um orifício externo (superficial), medial a esses vasos.
Outras estruturas importantes incluem o músculo cremáster.
Na mulher, destaca-se a ausência do funículo espermático e de suas estruturas, restando apenas o ligamento redondo do útero.
O diagnóstico das hérnias inguinofemorais é eminentemente clínico. O paciente pode relatar desconforto ou dor na região inguinal, geralmente associado a abaulamento, que pode variar conforme a posição ou o esforço.
O exame físico deve ser realizado com o paciente em pé e deitado, para verificar a redução ou protrusão do volume herniário.
Nos casos em que o diagnóstico é incerto — como em mulheres, obesos ou nas hérnias ocultas —, recorre-se a exames de imagem. A ultrassonografia é o método inicial de escolha, enquanto a ressonância magnética é superior para esclarecimento diagnóstico ou planejamento cirúrgico. A tomografia computadorizada é útil na avaliação de complicações ou diagnósticos diferenciais.
A classificação de Nyhus oferece a estratificação das hérnias inguinocrurais de acordo com a topografia e as características anatômicas:
• Tipo I: hérnia inguinal indireta infantil, com anel inguinal interno íntegro, sem alargamento;
• Tipo II: hérnia inguinal indireta com alargamento do anel inguinal interno, mas sem comprometimento da parede posterior;
• Tipo III: hérnias com defeito significativo da parede posterior, subdivididas em:
1.IIIA: hérnia inguinal direta, medial aos vasos epigástricos;
2.IIIB: hérnia inguinal indireta associada à dilatação do anel interno e defeito da parede posterior;
3.IIIC: hérnia femoral, abaixo do ligamento inguinal e através do anel femoral;
• Tipo IV: hérnias recidivadas, podendo ser subdivididas conforme localização:
A: direta;
B: indireta;
C: femoral.
As hérnias inguinofemorais se dividem em:
• hérnia inguinal indireta: atravessa o anel inguinal interno, lateral aos vasos epigástricos, percorre o canal inguinal e é a mais comum em todas as faixas etárias e sexos. Predomina na infância, devido à falta de obliteramento do processo vaginal;
• hérnia inguinal direta: protrui-se medial aos vasos epigástricos, no triângulo de Hasselbach, por fraqueza da parede posterior. É mais frequente em adultos e relacionada a distúrbios de colágeno e envelhecimento;
• hérnia femoral: ocorre abaixo do ligamento inguinal, medialmente aos vasos femorais e através do anel femoral. É mais prevalente em mulheres, mas ainda assim menos frequente que a inguinal indireta;
• hérnia mista: coexistência de hérnia direta e indireta no mesmo lado, divididas pela artéria epigástrica.
A hérnia redutível caracteriza-se pela facilidade com que seu conteúdo retorna espontaneamente, ou mediante manipulação, à cavidade abdominal, sem sinais de sofrimento tecidual.
A hérnia encarcerada é aquela em que o conteúdo herniário não pode ser reduzido, tornando-se fixo. Pode ser:
• crônica, sem sintomas agudos;
• aguda, com acentuação súbita do encarceramento.
Já a hérnia estrangulada apresenta sinais de comprometimento vascular do conteúdo herniário devido à compressão do pedículo, levando a:
• dor intensa;
• calor;
• rubor;
• edema;
• hiperemia.
Pode evoluir para necrose, perfuração e peritonite. A presença de sofrimento visceral e sinais sistêmicos sugere estrangulamento, exigindo intervenção cirúrgica de emergência.
A hérnia de deslizamento ocorre quando uma parede do órgão intra-abdominal, habitualmente o cólon ou a bexiga, constitui parte da parede do saco herniário. Isso pode dificultar a identificação do conteúdo e aumentar o risco de lesão iatrogênica durante a dissecção.
A hérnia de Richter é aquela na qual apenas a borda antimesentérica da alça intestinal hernia pelo defeito, resultando em estrangulamento parcial da alça, sem obstrução completa do lúmen intestinal.
Esse tipo é particularmente insidioso, pois pode evoluir com isquemia e necrose da parede intestinal sem sinais claros de obstrução.
A diferenciação anatômica entre hérnia femoral e hérnia inguinal baseia-se em sua relação com o ligamento inguinal e os vasos epigástricos.
A hérnia femoral protrui abaixo do ligamento inguinal, passando pelo anel femoral e sendo medial aos vasos femorais.
A hérnia inguinal, por sua vez, localiza-se acima do ligamento inguinal:
• a indireta situa-se lateral aos vasos epigástricos inferiores, passando pelo anel inguinal interno;
• a direta situa-se medial a esses vasos, no triângulo de Hasselbach.
Clinicamente, a hérnia femoral exibe maior propensão ao encarceramento e estrangulamento, ocorre tipicamente em mulheres adultas e pode ser mais difícil de palpar e distinguir. Muitas vezes, o diagnóstico definitivo pode ser feito apenas no intraoperatório.
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• Médico, Cirurgião Geral e Cirurgião do Aparelho Digestivo
• Fellow em Cirurgia Hepato-Biliopancreática pelo King’s College Hospital – Londres
• Mestre e Doutor em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
• Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões
• Membro Titular Especialista do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva
• Membro do Capítulo Brasileiro da International Hepato-Pancreato-Biliary Association
• Fundador do curso Hardwork Medicina
• Diretor de Pós-Graduação IDOMED
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