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Manejo da epistaxe (sangramento nasal): o papel do clínico e do otorrinolaringologista

Tempo de leitura

5 minutos

Atualizado em

07/05/2026

Manejo da epistaxe (sangramento nasal): o papel do clínico e do otorrinolaringologista

Introdução

CID 10 - R040

1. Epistaxe: definição, epidemiologia e principais causas

A epistaxe é definida como qualquer sangramento originado da cavidade nasal. Pode ser classificada em anterior ou posterior, de acordo com o local do sangramento, o que tem implicações diretas no manejo clínico.

Tipos de epistaxe

· Epistaxe anterior: mais comum, especialmente em crianças e adultos jovens, geralmente originada no plexo de Kiesselbach, região ricamente vascularizada localizada na porção anterior do septo nasal.

· Epistaxe posterior: mais frequente em idosos, associada a sangramentos mais volumosos e de difícil controle, geralmente provenientes de ramos da artéria esfenopalatina.

Entre as principais causas, destacam-se:

· Trauma local (coçar o nariz, manipulação digital);

· Ressecamento da mucosa nasal;

· Infecções de vias aéreas superiores;

· Hipertensão arterial sistêmica;

· Uso de anticoagulantes e antiagregantes plaquetários;

· Desvios e perfurações septais;

· Tumores nasais e nasofaringeanos;

· Doenças sistêmicas (coagulopatias, hepatopatias).

Reconhecer a etiologia é essencial para evitar recorrências e orientar o tratamento definitivo.

2. Avaliação inicial e conduta do clínico ou emergencista

O primeiro atendimento geralmente ocorre em unidades de pronto atendimento, consultórios ou emergências hospitalares. Nessa fase, o objetivo inicial é avaliar a gravidade, estabilizar o paciente e controlar o sangramento.

A abordagem deve seguir os princípios básicos da avaliação clínica:

Avaliação inicial

· Verificação de sinais vitais;

· Avaliação do estado hemodinâmico;

· Pesquisa de comorbidades (hipertensão, uso de anticoagulantes);

· Anamnese dirigida para episódios prévios e fatores desencadeantes.

Medidas iniciais

O sangramento ativo deve ser manejado com compressão digital da porção mole do nariz, mantendo o paciente sentado, com leve inclinação anterior da cabeça, por 10 a 15 minutos. Essa medida simples é eficaz em grande parte dos casos de epistaxe anterior.

Outras condutas incluem:

· Aplicação de compressas frias na face;

· Uso de vasoconstritores tópicos;

· Aspiração de coágulos quando possível;

· Orientação para evitar manipulação nasal após o controle do sangramento.

Quando realizar tamponamento

Se o sangramento persistir, pode-se realizar tamponamento nasal anterior com gaze vaselinada ou dispositivos comerciais.

Essa medida costuma ser suficiente para controlar a maioria das epistaxes anteriores e pode ser realizada em ambiente ambulatorial, desde que o paciente esteja estável.

3. Quando e por que encaminhar ao otorrinolaringologista

O encaminhamento ao especialista é indicado em situações como:

· falha no controle com medidas iniciais;

· suspeita de epistaxe posterior;

· sangramentos recorrentes;

· sangramento volumoso ou persistente;

· pacientes idosos ou com múltiplas comorbidades;

· suspeita de lesões estruturais ou tumorais;

· necessidade de abordagem cirúrgica.

O otorrinolaringologista dispõe de recursos diagnósticos e terapêuticos mais específicos, como endoscopia nasal, cauterização química ou elétrica, tamponamento posterior e abordagem cirúrgica dos vasos sangrantes.

A endoscopia nasal permite a identificação precisa do ponto de sangramento, possibilitando tratamento direcionado, o que reduz o desconforto do paciente e a taxa de recorrência. Em casos selecionados, a ligadura da artéria esfenopalatina ou a embolização arterial são necessárias para controle definitivo do sangramento.

4. Manejo especializado da epistaxe: abordagem do otorrinolaringologista

O manejo especializado da epistaxe pelo otorrinolaringologista é guiado pela identificação do local do sangramento e pela gravidade do quadro.

Epistaxe anterior persistente

· Cauterização química (nitrato de prata);

· Cauterização elétrica;

· Tamponamento anterior com materiais absorvíveis ou não absorvíveis.

Epistaxe posterior

· Tamponamento posterior com balão ou dispositivos específicos;

· Internação para observação;

· Antibioticoprofilaxia em casos de tamponamento prolongado;

· Avaliação de necessidade de intervenção cirúrgica.

A abordagem cirúrgica, quando indicada, apresenta alto índice de sucesso e menor morbidade em comparação a tamponamentos repetidos. O controle endoscópico tornou-se padrão em muitos centros.

Além disso, é fundamental investigar causas subjacentes, como:

· hipertensão descontrolada;

· distúrbios de coagulação;

· uso inadequado de anticoagulantes;

· Presença de tumores.

5. Prevenção de recorrências e abordagem integrada

Após o controle do episódio agudo, a prevenção de recorrências é etapa fundamental do manejo da epistaxe. Essa fase envolve orientação ao paciente e tratamento da causa base.

Medidas preventivas incluem:

· Hidratação da mucosa nasal;

· Controle da pressão arterial;

· Ajuste de anticoagulação;

· Tratamento de infecções respiratórias;

· Correção de alterações estruturais;

· Evitar trauma nasal e esforço físico.

A integração entre clínicos, emergencistas, pediatras e otorrinolaringologistas é essencial para garantir uma abordagem completa, segura e resolutiva. O manejo adequado reduz internações, recorrências e complicações, além de melhorar a experiência do paciente.

Considerações finais

O domínio do manejo da epistaxe é essencial para profissionais que atuam em urgência, emergência e clínica médica. Se você deseja aprofundar seus conhecimentos e aprimorar sua prática assistencial, conheça a Pós-Graduação em Otorrinolaringologia e o Fellowship em Clínica Médica – Badim do IDOMED, programas voltados à formação prática e ao manejo de condições clínicas frequentes na rotina hospitalar.

Sobre a autora:

Isabela Guimarães Pache de Faria | CRM 5278710-8

· Chefe do IOG

· Coordenadora Acadêmica da Pós-Graduação em Otorrinolaringologia no IDOMED

· Coordenadora da Granato Ensino e Pesquisa

· Otorrinolaringologista no HMMC

· Mestranda no INI

Aviso Legal: As informações contidas neste blogpost têm caráter estritamente educativo e não substituem, em hipótese alguma, a avaliação, o diagnóstico e a prescrição de um médico ou farmacêutico. Leia sempre a bula.

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