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Que médico você quer ser?

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10 minutos

Atualizado em

04/09/2026

Que médico você quer ser?

Introdução

Os resultados do ENAMED 2025 apontaram desempenho insatisfatório em cerca de 30% dos cursos de Medicina avaliados (99 cursos com notas 1 ou 2), traçando um cenário desafiador e transformador para aqueles que ingressam atualmente na Medicina brasileira. O médico que se quer ser, neste contexto de 2025/2026, embora tenha um “aspiracional” de competência, segurança no exercício da profissão e qualificação diferenciada pela excelência técnica e ética, chega ao mercado com preocupações e enormes questionamentos sobre a formação e a consistência curricular dos atuais cursos de Medicina e dúvidas sobre o futuro da sua carreira.

1. Quais são as aspirações dos recém-formados e iniciantes na carreira de Medicina (2025-2026)?

Dados indicam uma mudança significativa nas aspirações e na realidade dos médicos recém-formados e iniciantes, especialmente no Brasil. As tendências apontam para um cenário de alta concorrência, busca por especialização imediata e forte preocupação com a saúde mental.

O estudo Demografia Médica no Brasil 2025, realizado pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Ministério da Saúde, aponta para as seguintes aspirações:

Alta oferta e interiorização: em 2025, o Brasil atingiu um número expressivo de médicos (mais de 635 mil), e a tendência é a interiorização devido à abertura de novas escolas médicas.

Competição pela residência: existe uma grande disparidade entre o número de formandos e as vagas de residência médica, gerando um “aperto” inicial na carreira.

Atuação como generalista: muitos recém-formados estão optando por trabalhar como generalistas (em pronto-socorro, ESF, telemedicina) como primeira carreira antes de seguir diretamente para a especialização.

Valorização da qualidade de vida: há uma busca crescente por equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além de interesse em tecnologias como IA e telemedicina na busca por eficiência.

2. Qual o perfil ideal do médico que é procurado pelas instituições de saúde?

O perfil do médico que é buscado pelas instituições de saúde é aquele que apresenta excelência técnica e ética em um mercado de trabalho com alta oferta de profissionais. Além de se diferenciar pela especialização, valorização do conhecimento técnico sólido e educação continuada, garantindo que o profissional esteja sempre atualizado e bem-informado sobre as tendências tecnológicas que impactam o exercício da prática médica.

Apesar do discurso focado em humanização do atendimento e valorização das soft skills, os processos seletivos ainda privilegiam quantidade em detrimento de qualidade e garantia de competências comportamentais que garantam ambientes emocionalmente seguros de trabalho.

3. Como a saturação de médicos generalistas afeta as escolhas dos novos médicos?

Diante da saturação de médicos generalistas (cerca de 40% do total em 2025), quatro fatores redefinem o cenário das escolhas dos novos médicos:

• O principal desejo é o acesso à residência médica e especializações, já que apenas cerca de 30% dos médicos devem ter acesso a essas vagas até 2030.

• Após o “choque” do ENAMED, há uma pressão por valorizar o conhecimento técnico sólido, distanciando-se de formações precárias.

• Os novos médicos estão mais conscientes do cansaço mental e emocional inerente ao exercício da profissão — cerca de 30% relatam aumento de estresse nos últimos 12 meses — e buscam equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal.

• **residência médica **Devido à Reforma Tributária (LC 214/2025), que reduziu alíquotas para consultórios, cresce a busca por gestão de clínicas próprias, alterando o cenário de “sobrevivência financeira” no modelo de plantões.

4. Quais são as principais demandas da nova geração de médicos em relação à formação e ao mercado de trabalho?

O cenário é de transição, e o ENAMED 2025 funcionou como um divisor de águas, ao identificar “médicos minimamente competentes” (nota de corte de 60,0). Os novos médicos, em especial aquele seleto grupo que obteve boa avaliação, buscam, acima de tudo, sentir-se seguros e valorizados em um mercado que se torna cada vez mais seletivo.

Para eles, as demandas refletem pontos importantes de mudança na forma como a Medicina é vista e praticada no Brasil a partir de:

Regulação e qualidade: o apoio a exames como o ENAMED é visto como ferramenta para separar “o joio do trigo”, garantindo que apenas médicos aptos atendam pacientes.

Valorização da residência médica: mais vagas e melhores condições no sistema de residência para conter a “generalização” forçada.

Educação continuada: demanda por treinamento prático constante, simuladores e educação médica de alta qualidade.

Desafios do mercado de trabalho: lidar com a alta oferta, exigindo maior nicho de atuação e especialização.

5. Quais são os principais pontos discutidos no relatório Demografia Médica no Brasil (2025/2026) que podem servir de reflexão para médicos no início da carreira?

Estes são os principais pontos destacados no relatório:

Busca intensa por residência médica: devido ao grande aumento no número de médicos recém-formados, a aprovação em residência médica é considerada mais difícil do que o vestibular em Medicina, com recorde de inscritos e pontos de corte altos em 2025/2026.

Incerteza no início de carreira: a percepção de estabilidade automática após a formatura diminuiu, com jovens médicos enfrentando um início de carreira mais incerto, atípico e concorrido.

Qualidade de vida e saúde mental: estudos de 2025 (Afya/APM) mostram que a qualidade de vida é uma preocupação central, com cerca de 45% dos profissionais apresentando algum transtorno mental, como burnout, depressão ou ansiedade.

Integração com tecnologia (IA): médicos jovens aspiram integrar inteligência artificial generativa e saúde digital à prática clínica, mas demonstram receios sobre a desumanização, focando na tecnologia como ferramenta de “inteligência aumentada” para diagnósticos mais rápidos.

Carreira generalista vs. especialização: existe uma pressão para se especializar logo, embora muitos recém-formados comecem a atuar como generalistas, enfrentando um mercado saturado em grandes centros.

Apoio a exame de suficiência: há um apoio majoritário entre os novos médicos para a implementação de um exame de suficiência (tipo “OAB” da Medicina) para avaliação antes da entrada no mercado de trabalho.

6. Quais são os principais desafios que os novos médicos enfrentam no mercado de trabalho?

De acordo com as projeções de mercado, o Brasil ultrapassou a marca de 635 mil médicos em atividade em 2025, com uma presença feminina cada vez maior e maior concentração nas capitais. Se observarmos esses números em São Paulo, por exemplo, a expectativa é que o estado chegue a 340 mil médicos em 2035, exigindo, portanto, refinamento do nicho de atuação e especialização, além de lidar com forte pressão por uma formação mais rigorosa e qualificada.

Portanto, “o médico que se quer ser” dependerá cada vez mais do contexto ditado pela tecnologia, pela demografia (interiorização da demanda) e pela constante atualização (lifelong learning).

Referências bibliográficas

• Portaria nº 413/2025: regulamenta o ENAMED e define suas diretrizes.

• Nota Técnica nº 19/2025: apresenta os procedimentos para cálculo do desempenho individual dos participantes.

• Nota Técnica nº 42/2025: detalha a metodologia de cálculo das notas finais do ENAMED 2025.

• Artigos e notícias:

“Do ENADE ao ENAMED: Tudo o que sua instituição precisa saber sobre a nova avaliação anual da formação médica” — um artigo que explica a transição do ENADE para o ENAMED e seus impactos.

“ENAMED: entenda o que é o exame, os impactos na formação médica e as polêmicas” — um artigo que discute os resultados do ENAMED e suas implicações.

Instituições e entidades:

INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira): publicou notas técnicas sobre o ENAMED 2025.

MEC (Ministério da Educação): divulgou informações sobre o ENAMED e sua importância.

Conselho Federal de Medicina: emitiu parecer sobre os resultados do ENAMED e suas implicações para a formação médica.

Considerações finais

Para médicos que desejam ampliar sua atuação para além da assistência e desenvolver competências em liderança e gestão, o MBA Executivo em Gestão de Saúde reúne a expertise do IDOMED e do Ibmec, instituição com tradição em educação executiva. A formação aborda diferentes dimensões da administração de organizações de saúde, com foco em gestão estratégica, negócios e liderança, além de oferecer um modelo que combina diferentes formatos de aprendizagem.

Já o MBA de Gestão em Oftalmologia direciona esse olhar para as particularidades de clínicas, centros e serviços oftalmológicos. O curso conta com a parceria da SBAO (Sociedade Brasileira de Administração em Oftalmologia) e chancela do Ibmec, reunindo conteúdos específicos de gestão no setor, professores ligados às instituições parceiras e projetos voltados a situações da área oftalmológica.

Sobre a autora

Leila Barbosa | CONRE 69023

• Graduada em Estatística pela ENCE-RJ e em Psicologia pela Faculdade Salesiana de Lorena 

• Especialização em Psicanálise de Grupo pela Escola Paulista de Medicina 

• Pós-Graduação no Programa Avançado em Negócios Internacionais pela Fundação Dom Cabral Extensão em Global Finance pela Stern School of Business – NYU.  

• Atualmente é head de Education na Talent Education Tecnologia e Aceleração Digital 

• Atua também como coordenadora técnica e docente do IDOMED e do IBMEC, ambos do Grupo YDUQS.  

• Docente convidada pela FATEA, FIA/USP, ESPM e UNISUAM. 

• Sua experiência abrange 11 anos no IBGE e atuação nos setores: aeroespacial, varejo, automotivo e financeiro. Formação em Coach executivo e empresarial pela ABRACEM. 

• Sócia da FMR Knowledge & Research desde 1996 e da PurpleBag Films & Productions desde 2015. 

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