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Atualizado em
07/08/2026

CID 10 - C00-C97
Um estudo da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em fevereiro de 2026, publicou dados relevantes sobre a evitabilidade do câncer. Segundo o estudo, estima-se que 37% dos novos casos de câncer poderiam ser prevenidos com medidas efetivas de prevenção e redução da exposição a fatores de risco modificáveis.
A análise, baseada em dados de 2022 de 185 países, indica que cerca de 7,1 milhões de diagnósticos poderiam ser evitados. Nesse contexto, é fundamental discutir os principais fatores que contribuem para a evitabilidade do câncer e como diferentes setores da sociedade podem atuar juntos para reduzir a incidência da doença.
O estudo contemplou 30 fatores de risco considerados modificáveis. Quando organizados por incidência, destacam-se seis dos principais fatores citados.
Apontado como o fator mais crítico e responsável por grande parcela dos casos de câncer, especialmente o de pulmão. Fumantes têm de 22 a 30 vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão ao longo da vida do que não fumantes.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e dados do Ministério da Saúde do Brasil, o tabagismo é responsável por cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão, distribuídos em altas taxas para o carcinoma de células não pequenas, de 80% a 85%, e em quase sua totalidade para o carcinoma de pequenas células.
Estudos da OMS e manuais de prevenção do INCA também demonstram que a exposição à fumaça do cigarro aumenta o risco de câncer de pulmão em não fumantes. Além do pulmão, o tabagismo está fortemente relacionado a outros tipos de câncer, incluindo os de boca e laringe. As substâncias tóxicas do cigarro provocam mutações nas células, contribuindo para a formação de tumores.
Agentes infecciosos como o papilomavírus humano (HPV), principal causa do câncer do colo do útero, e o Helicobacter pylori, associado ao câncer de estômago, ocupam o segundo lugar entre os fatores modificáveis apresentados pelo estudo.
Apresenta correlação com diversos tipos de câncer. A IARC classifica o álcool como carcinógeno do Grupo 1, indicando que existem evidências suficientes de sua capacidade de causar câncer em humanos. De acordo com dados de 2020, 4% dos novos casos de câncer foram atribuídos ao consumo de álcool, totalizando mais de 740 mil casos no mundo.
A obesidade apresenta correlação com diferentes tipos de câncer, incluindo o câncer de mama em mulheres após a menopausa. O excesso de gordura corporal representa risco para o desenvolvimento de pelo menos 13 tipos de câncer.
Estudos indicam que a obesidade está relacionada à formação de um ambiente pró-inflamatório, com aumento de adipocinas e citocinas, favorecendo o crescimento tumoral.
A falta de atividade física é um fator de risco para diversas doenças crônicas e está associada ao aumento do risco de desenvolvimento de diferentes tipos de câncer. Entre os mais frequentemente citados estão os cânceres de cólon, mama, endométrio, rim e próstata.
São caracterizados por dietas com baixo valor nutricional e consumo excessivo de calorias, gorduras, açúcares e sódio, além do consumo frequente de alimentos ultraprocessados, geralmente pobres em nutrientes essenciais, vitaminas e fibras.
Metade dos cânceres evitáveis no mundo concentra-se em três tipos principais.
Segundo o estudo da IARC, os cânceres de pulmão, estômago e colo do útero representam, juntos, quase metade de todos os casos passíveis de prevenção.
Em outro estudo publicado em 2026 no periódico The Lancet Global Health, pesquisadores da IARC estimaram que 48%, ou 4,5 milhões, das mortes esperadas nos cinco anos seguintes ao diagnóstico entre pessoas diagnosticadas com câncer em 2022 poderiam ter sido evitadas por meio de prevenção primária, detecção precoce e acesso ao tratamento curativo.
O câncer de pulmão aparece no topo das mortes relacionadas a causas preveníveis. Esses dados demonstram que as estratégias de prevenção e cuidado podem contribuir tanto para diminuir o número de casos quanto para reduzir as mortes causadas pelo câncer.
Os médicos e demais profissionais da saúde desempenham papel fundamental na prevenção do câncer. Eles podem orientar os pacientes sobre fatores de risco, realizar exames de detecção precoce, como mamografia e colonoscopia, e promover ações de educação contínua.
Além disso, os profissionais de saúde podem trabalhar com os pacientes para desenvolver planos de prevenção individualizados.
A prevenção do câncer exige uma abordagem multidisciplinar, que pode ser organizada em três grandes frentes:
Mudança de hábitos, redução da exposição aos fatores de risco e educação contínua, especialmente na Atenção Primária à Saúde.
Rastreamento e detecção precoce da doença.
Inclui a utilização de ferramentas de avaliação de risco hereditário e apoio à tomada de decisão, além da prevenção quaternária e da incorporação da medicina de precisão.
A sociedade pode contribuir significativamente para a prevenção do câncer. Estima-se que uma parcela expressiva dos casos seja evitável por meio de medidas concentradas em mudanças no estilo de vida, vacinação, redução da exposição aos fatores de risco e detecção precoce.
A conscientização da população sobre a importância da vacinação e do controle de infecções é um fator relevante para a prevenção.
• redução da exposição excessiva à radiação ultravioleta, com uso de protetor solar e evitando sessões de bronzeamento artificial;
• educação das comunidades para reduzir estigmas e mitos sobre o câncer;
• incentivo à participação nos exames de rastreamento;
• ampliação do acesso a mamografias, exames de Papanicolau e colonoscopias;
• divulgação de informações claras sobre fatores de risco e formas de prevenção.
Países desenvolvidos têm enfrentado esse desafio por meio de políticas abrangentes, financiadas tanto pelo setor público quanto pelo privado, resultando em reduções significativas dos cânceres relacionados especialmente ao tabagismo e em melhores taxas de sobrevida.
Os países desenvolvidos frequentemente utilizam uma abordagem que integra políticas públicas, educação e infraestrutura de saúde.
Entre as principais iniciativas estão:
• Planos nacionais de combate ao câncer: países como Estados Unidos, Reino Unido e Japão estabeleceram políticas nacionais que integram estratégias de educação, prevenção e cuidado em seus sistemas de saúde.
• Políticas regulatórias: implementação de regulamentações como embalagens neutras para cigarros, aumento de impostos sobre o tabaco e proibição de publicidade.
• Campanhas de educação pública: utilização dos meios de comunicação para orientar a população sobre os fatores de risco e a importância do rastreamento.
• Ampliação do acesso à saúde: oferta de programas de rastreamento e vacinação, muitas vezes financiados pelo poder público, como o programa de vacinação contra o HPV da Austrália.
• Investimento em pesquisa: financiamento de estudos e projetos voltados à prevenção, conscientização, diagnóstico e tratamento do câncer.
As evidências mostram que a prevenção e a detecção precoce podem produzir resultados relevantes:
• Nos Estados Unidos, a mortalidade geral por câncer diminuiu 33% entre 1991 e 2020.
• Políticas públicas relacionadas à redução do tabagismo contribuíram para evitar milhares de mortes por câncer de pulmão.
• A Austrália está no caminho para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública por meio da alta cobertura de vacinação contra o HPV e dos exames de rastreamento.
• Em cinco tipos de câncer — mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata — grande parte das mortes evitadas entre 1975 e 2020 foi atribuída a iniciativas de prevenção e rastreamento precoce.
Uma parcela significativa dos casos e das mortes por câncer pode ser evitada por meio da redução dos principais fatores de risco, da detecção precoce e da ampliação do acesso ao tratamento.
Embora o tratamento seja fundamental, o investimento em prevenção primária e secundária é essencial para reduzir os impactos econômicos e sociais do câncer.
A prevenção oferece uma estratégia de longo prazo para o controle do câncer, contribuindo para a redução da necessidade de tratamentos de maior complexidade.
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• Graduada em Estatística pela ENCE-RJ e em Psicologia pela Faculdade Salesiana de Lorena
• Especialização em Psicanálise de Grupo pela Escola Paulista de Medicina
• Pós-Graduação no Programa Avançado em Negócios Internacionais pela Fundação Dom Cabral Extensão em Global Finance pela Stern School of Business – NYU.
• Atualmente é head de Education na Talent Education Tecnologia e Aceleração Digital
• Atua também como coordenadora técnica e docente do IDOMED e do IBMEC, ambos do Grupo YDUQS.
• Docente convidada pela FATEA, FIA/USP, ESPM e UNISUAM.
• Sua experiência abrange 11 anos no IBGE e atuação nos setores: aeroespacial, varejo, automotivo e financeiro. Formação em Coach executivo e empresarial pela ABRACEM.
• Sócia da FMR Knowledge & Research desde 1996 e da PurpleBag Films & Productions desde 2015.
Aviso Legal: As informações contidas neste blogpost têm caráter estritamente educativo e não substituem, em hipótese alguma, a avaliação, o diagnóstico e a prescrição de um médico ou farmacêutico. Leia sempre a bula.
Organização Mundial da Saúde. (2018). WHO Position Paper on Cancer Screening.
Ministério da Saúde. (2020). Diretrizes para Rastreamento de Câncer.
Colégio Brasileiro de Radiologia. (2020).
American Cancer Society. (2021). Breast Cancer Screening Guidelines.
National Cancer Institute. (2020). Genetic Testing for Cancer Risk.
Martins, C.; Teixeira, M. (2019). Prevenção quaternária: conceitos e aplicações. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade.
RealRisks. (2021). Decision Support Tool for Cancer Prevention.
National Institutes of Health. (2020). Precision Medicine in Cancer Treatment.