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Atualizado em
30/10/2026

CID-10: I10
De acordo com a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, a Hipertensão Arterial (HA) é uma doença crônica não transmissível caracterizada pela elevação persistente da pressão arterial sistólica (PAS) maior ou igual a 140 mmHg e/ou da pressão arterial diastólica (PAD) maior ou igual a 90 mmHg, medida com técnica adequada, em pelo menos duas ocasiões diferentes e na ausência de tratamento anti-hipertensivo.
A hipertensão é considerada uma doença multifatorial, resultante da interação entre fatores genéticos, epigenéticos, ambientais, comportamentais e psicossociais. Ela não deve ser vista apenas como uma alteração numérica da pressão arterial, mas como uma condição associada ao desenvolvimento progressivo de lesões em órgãos-alvo, como coração, cérebro, rins, retina e vasos sanguíneos.
A diretriz também classifica os níveis de pressão arterial medidos em consultório da seguinte forma:
• Pressão arterial normal: < 120/80 mmHg;
• Pré-hipertensão: 120-139 mmHg e/ou 80-89 mmHg;
• Hipertensão estágio 1: 140-159 mmHg e/ou 90-99 mmHg;
• Hipertensão estágio 2: 160-179 mmHg e/ou 100-109 mmHg;
• Hipertensão estágio 3: ≥ 180 mmHg e/ou ≥ 110 mmHg.
A importância clínica da HAS está no fato de ser o principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares, incluindo infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e doença renal crônica.
O diagnóstico da hipertensão arterial deve seguir critérios rigorosos para evitar erros e classificações inadequadas. Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, o diagnóstico não deve ser realizado com base em uma única aferição de pressão arterial, exceto em situações especiais, como hipertensão estágio 3 ou presença de lesão de órgãos-alvo ou doença cardiovascular já estabelecida.
O diagnóstico inicial baseia-se na medida da pressão arterial realizada em consultório com técnica adequada e equipamentos validados. A diretriz recomenda que:
• O paciente permaneça sentado por pelo menos 5 minutos antes da medida;
• Não tenha fumado, ingerido cafeína ou praticado exercício físico recentemente;
• Esteja com as costas apoiadas, pés no chão e pernas descruzadas;
• A pressão seja medida em ambos os braços na avaliação inicial;
• Sejam realizadas três medidas, utilizando-se a média das duas últimas.
Para confirmação diagnóstica, a pressão arterial deve estar ≥ 140/90 mmHg em pelo menos duas ocasiões diferentes.
A diretriz recomenda fortemente o uso da Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) ou da Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) para confirmar o diagnóstico e acompanhar o tratamento. Essas modalidades são superiores à medida isolada no consultório para predizer risco cardiovascular.
Os valores diagnósticos considerados anormais são:
MAPA 24 horas
• PAS ≥ 130 mmHg e/ou PAD ≥ 80 mmHg.
MAPA durante a vigília
• PAS ≥ 135 mmHg e/ou PAD ≥ 85 mmHg.
MAPA durante o sono
PAS ≥ 120 mmHg e/ou PAD ≥ 70 mmHg.
MRPA
• PAS ≥ 130 mmHg e/ou PAD ≥ 80 mmHg.
A utilização da MAPA e da MRPA permite identificar fenótipos importantes da hipertensão: Hipertensão do avental branco e hipertensão mascarada.
A hipertensão do avental branco ocorre quando a pressão está elevada no consultório, mas normal fora dele. Já a hipertensão mascarada ocorre quando a pressão é normal durante a consulta médica, porém elevada nas medidas domiciliares ou ambulatoriais. Ambos os fenótipos possuem relevância clínica e estão associados a maior risco cardiovascular quando comparados à normotensão verdadeira.
Após a confirmação diagnóstica, todo paciente hipertenso deve ser submetido a uma avaliação clínica completa. A anamnese deve investigar:
• História familiar de hipertensão;
• Hábitos alimentares;
• Consumo de sal;
• Uso de álcool;
• Tabagismo;
• Uso de medicamentos;
• Presença de fatores de risco cardiovasculares;
• Sintomas sugestivos de lesão de órgãos-alvo;
Possíveis causas secundárias de hipertensão.
O exame físico também deve ser abrangente, incluindo:
• Medida correta da pressão arterial;
• Avaliação cardiovascular;
• Pesquisa de sopros arteriais;
• Avaliação dos pulsos periféricos;
• Fundo de olho;
• Medidas antropométricas como peso, altura, IMC e circunferência abdominal.
Os exames complementares ajudam a identificar fatores de risco associados, lesões de órgãos-alvo e possíveis causas secundárias da hipertensão. A diretriz recomenda avaliação periódica de:
• Eletrocardiograma;
• Função renal;
• Taxa de filtração glomerular estimada;
• Albuminúria;
• Exames laboratoriais metabólicos;
• Outros exames conforme a estratificação de risco cardiovascular.
Além disso, a investigação de lesões de órgãos-alvo deve ser realizada já no momento do diagnóstico, pois sua presença aumenta significativamente o risco cardiovascular e influencia as metas terapêuticas.
Em resumo, o diagnóstico da HAS exige medidas precisas da pressão arterial, confirmação em diferentes ocasiões e, sempre que possível, utilização da MAPA ou MRPA. Após o diagnóstico, é fundamental realizar avaliação clínica e complementar completa para estratificar o risco cardiovascular e direcionar adequadamente o tratamento.
A HAS apresenta elevada prevalência em todo o mundo e constitui um importante problema de saúde pública. No Brasil, aproximadamente 32,5% da população adulta apresenta hipertensão arterial. Essa prevalência aumenta progressivamente com a idade, atingindo mais de 50% das pessoas acima de 60 anos.
Apesar de ser uma doença muito frequente, um número significativo de pacientes desconhece seu diagnóstico ou não realiza tratamento adequado. O texto destaca que, mesmo em países desenvolvidos, apenas cerca de um terço dos hipertensos mantém controle satisfatório da pressão arterial.
A elevação da pressão arterial é uma das queixas mais comuns nos departamentos de emergência. Dependendo do serviço estudado, pode corresponder a uma parcela significativa dos atendimentos, abrangendo desde simples descontrole da hipertensão crônica até verdadeiras emergências hipertensivas.
As crises hipertensivas representam entre 0,4% e 0,6% dos atendimentos em pronto-socorro no Brasil e são responsáveis por aproximadamente 1,7% das emergências clínicas. Entre as principais manifestações observadas nesses pacientes destacam-se o edema agudo de pulmão e o acidente vascular cerebral.
Além disso, as crises hipertensivas podem acometer tanto indivíduos previamente diagnosticados com hipertensão quanto pessoas sem diagnóstico conhecido. Elas são mais frequentes em homens, idosos, obesos, pacientes com doença renal crônica e indivíduos que não aderem corretamente ao tratamento.
Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento e agravamento da hipertensão arterial.
O primeiro fator importante é a idade. O envelhecimento está associado a alterações estruturais dos vasos sanguíneos, favorecendo o aumento da pressão arterial. Isso explica a frequência mais elevada da doença em indivíduos idosos.
Outro fator relevante é a obesidade, que está intimamente relacionada ao aumento da pressão arterial e ao maior risco cardiovascular. Pacientes obesos apresentam maior incidência de hipertensão e de suas complicações.
A má adesão ao tratamento é uma das principais causas de elevação descontrolada da pressão arterial. Muitos pacientes interrompem as medicações ou utilizam-nas de forma inadequada, favorecendo o surgimento de crises hipertensivas.
O uso de determinados medicamentos também pode elevar a pressão, entre eles:
• Anti-inflamatórios não esteroidais;
• Corticoides;
• Simpaticomiméticos;
• Algumas medicações que interferem na regulação vascular.
O consumo de álcool e de drogas ilícitas, especialmente cocaína e anfetaminas, está associado ao aumento significativo da pressão arterial e pode desencadear emergências hipertensivas.
Doenças secundárias também aumentam o risco de hipertensão, como:
• Doença renal crônica;
• Hipertensão renovascular;
• Hiperaldosteronismo primário;
• Feocromocitoma.
Além disso, fatores emocionais como estresse intenso, ansiedade e síndrome do pânico podem provocar elevação transitória da pressão arterial, embora isoladamente não caracterizem crises hipertensivas verdadeiras.
A hipertensão arterial é frequentemente chamada de "doença silenciosa", pois muitos pacientes permanecem assintomáticos por longos períodos. Entretanto, quando os níveis pressóricos estão muito elevados ou surgem lesões de órgãos-alvo, diversas manifestações clínicas podem aparecer.
Entre os sintomas neurológicos mais comuns estão:
• Cefaleia;
• Tontura;
• Alterações visuais;
• Agitação;
• Confusão mental;
• Convulsões;
• Alteração do nível de consciência.
Quando ocorre acometimento cerebral, podem surgir sinais de AVC, como:
• Fraqueza em um lado do corpo;
• Alterações da fala;
• Alterações da sensibilidade;
• Rebaixamento do nível de consciência.
O comprometimento cardíaco pode manifestar-se por:
• Dor torácica;
• Falta de ar;
• Sintomas de infarto agudo do miocárdio;
• Edema agudo de pulmão.
No edema agudo de pulmão, os pacientes podem apresentar:
• Dispneia intensa;
• Sudorese;
• Ansiedade;
• Tosse com expectoração rosada;
• Taquipneia.
O comprometimento renal pode causar:
• Diminuição da produção urinária;
• Presença de sangue na urina;
• Edema;
• Piora da função renal.
Alterações oculares também podem ocorrer, incluindo:
• Visão borrada;
• Moscas volantes;
• Hemorragias retinianas;
• Papiledema em casos graves.
As crises hipertensivas são classificadas em urgência hipertensiva e emergência hipertensiva.
A urgência hipertensiva ocorre quando há elevação importante da pressão arterial, geralmente com pressão diastólica igual ou superior a 120 mmHg, mas sem lesão aguda de órgão-alvo. Os pacientes podem apresentar sintomas leves, porém não há dano imediato a órgãos vitais.
Na maioria dos casos, não há necessidade de redução rápida da pressão arterial, sendo mais importante ajustar o tratamento habitual e garantir acompanhamento ambulatorial precoce.
A emergência hipertensiva é uma condição grave caracterizada pela elevação significativa da pressão arterial associada a lesão aguda e progressiva de órgãos-alvo.
As principais manifestações incluem:
• Encefalopatia hipertensiva;
• Acidente vascular cerebral;
• Edema agudo de pulmão;
• Síndrome coronariana aguda;
• Dissecção aguda de aorta;
• Insuficiência renal aguda;
• Eclâmpsia e pré-eclâmpsia grave.
Nesses casos, o tratamento deve ser imediato e realizado em ambiente hospitalar.
O tratamento varia de acordo com a gravidade do quadro.
Nas urgências hipertensivas, geralmente não é recomendada uma redução rápida da pressão, pois isso pode reduzir excessivamente a perfusão do cérebro, coração e rins. O foco é reiniciar ou ajustar as medicações anti-hipertensivas e orientar o paciente quanto à adesão ao tratamento.
Podem ser utilizados medicamentos orais como:
• Captopril;
• Clonidina;
• Hidralazina.
Nas emergências hipertensivas, os pacientes devem ser internados e receber medicamentos intravenosos que permitam controle rigoroso da pressão arterial.
A regra geral é reduzir a pressão gradualmente:
• 10% a 20% na primeira hora;
• Mais 10% a 15% nas 23 horas seguintes.
Os principais medicamentos utilizados são:
• Nitroprussiato de sódio;
• Nitroglicerina;
• Labetalol;
• Esmolol;
• Hidralazina;
• Nicardipina.
Além do controle da pressão, é fundamental tratar a condição associada. Por exemplo:
• AVC necessita de abordagem neurológica específica;
• Infarto requer tratamento coronariano;
• Edema agudo de pulmão exige suporte respiratório e diuréticos;
• Dissecção de aorta necessita controle agressivo da pressão e, frequentemente, cirurgia.
Portanto, o tratamento da hipertensão não se resume apenas à redução dos níveis pressóricos. Ele envolve diagnóstico correto, identificação de lesão de órgãos-alvo, controle dos fatores de risco e acompanhamento contínuo para prevenir complicações cardiovasculares futuras.
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• Formado em Medicina pela Universidade Estadual do Maranhão - UEMA, 2012.
• Cardiologista com Residência Médica pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA, 2020.
• Residência em Clínica Médica pela Universidade Federal do Tocantins - UFT, 2018.
• Especialista em Saúde da Família pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA, em 2014. Docente na Faculdade de Medicina de Açailândia-MA (FAMEAC), desde abril/2021.
• Instrutor ACLS / PALS / BLS (American Heart Association), desde 2024.
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