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O Que São Glosas e Como Evitá-las Usando a TUSS Corretamente

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5 minutos

Atualizado em

14/08/2026

O Que São Glosas e Como Evitá-las Usando a TUSS Corretamente

Introdução

Glosa é a recusa, total ou parcial, do pagamento de um procedimento faturado por um prestador de saúde a uma operadora de plano de saúde. Ela acontece quando a operadora identifica alguma divergência entre o que foi cobrado e o que consta no contrato, na autorização ou nas regras de faturamento — e boa parte dessas divergências nasce de erros no uso dos códigos da Tabela TUSS.

Por que as glosas acontecem

Na maioria dos casos, a glosa não é sobre o atendimento em si, mas sobre como ele foi registrado. Cada prestador costuma atender dezenas de operadoras diferentes, cada uma com seu próprio contrato e suas próprias regras de valorização. Quando um código TUSS é preenchido incorretamente, quando falta uma informação obrigatória na guia ou quando o procedimento cobrado não corresponde ao que foi autorizado, a operadora aplica a glosa em vez de efetuar o pagamento.

Tipos de glosa

Glosa administrativa: decorre de falhas formais — código TUSS incorreto, guia incompleta, ausência de autorização, dados do beneficiário divergentes. É o tipo mais comum e o que tem maior chance de reversão, já que costuma ser um erro de preenchimento, não uma questão clínica.

Glosa técnica: questiona a pertinência clínica do procedimento — por exemplo, quando a operadora entende que o exame ou material cobrado não era necessário para o quadro do paciente. Exige justificativa clínica e, muitas vezes, prontuário como prova.

Glosa linear: aplica um corte percentual padronizado sobre um lote de contas, sem análise individual de cada item. É uma prática questionada no setor: a Resolução Normativa nº 503/2022 da ANS veda que o contrato impeça o prestador de contestar glosas ou de acessar as justificativas, o que torna a glosa aplicada sem análise individualizada juridicamente frágil.

Glosa total x glosa parcial

A glosa total nega o pagamento inteiro de um item ou procedimento. A glosa parcial reduz apenas uma parte do valor cobrado — por exemplo, quando a operadora paga o procedimento principal, mas glosa um material ou taxa lançado junto. Entender essa diferença ajuda a equipe de faturamento a priorizar recursos: glosas totais de alto valor costumam justificar mais esforço de contestação que glosas parciais pequenas e recorrentes, que muitas vezes indicam um problema sistemático no processo, não um caso isolado.

Glosas e a TUSS: onde as duas coisas se encontram

Quando uma operadora aplica uma glosa, ela não escreve um texto livre explicando o motivo — ela informa um código, assim como faz com os procedimentos. Esses códigos fazem parte da Tabela 38 (Terminologia de mensagens — glosas, negativas e outras), componente do Padrão TISS mantido pela ANS. Um exemplo comum é o código 1705, que significa "valor apresentado a maior"; o 1706 é o oposto, "valor apresentado a menor".

Isso quer dizer que dominar a TUSS ajuda diretamente a reduzir glosas administrativas: se o código do procedimento, o código do material e a tabela de referência usada na guia estiverem corretos, boa parte dos motivos de glosa mais comuns simplesmente não se aplica. E quando uma glosa chega, reconhecer o código do motivo — em vez de tratá-lo como uma mensagem genérica — acelera a decisão entre corrigir, complementar documentação ou abrir recurso.

Causas mais comuns de glosa

• Código TUSS incorreto ou desatualizado no procedimento, material ou medicamento cobrado

• Falta de autorização prévia para o procedimento realizado

• Guia TISS incompleta, sem assinatura ou com dados do beneficiário divergentes

• Cobrança de procedimento em duplicidade ou fora do prazo de validade

• Ausência de prescrição médica, laudo ou justificativa clínica anexada

• Valor cobrado superior ao acordado em pacote ou tabela contratual

Impactos das glosas nas instituições de saúde

Glosas recorrentes afetam diretamente o fluxo de caixa de clínicas e hospitais, já que o valor fica retido até a resolução do recurso — processo que pode levar semanas. Além do impacto financeiro direto, glosas geram retrabalho para as equipes de faturamento e auditoria, atrasam o fechamento de contas e, quando muito frequentes, são um sinal de que há falhas sistemáticas no processo de faturamento que vão além de casos isolados.

Como funciona o recurso de glosa

A Resolução Normativa nº 503/2022 da ANS estabelece regras específicas para a relação contratual entre prestadores e operadoras nesse ponto: o contrato deve prever expressamente as hipóteses de glosa, os prazos de contestação e de resposta, e o prazo de contestação do prestador deve ser igual ao prazo de resposta da operadora — garantindo paridade entre as partes. A norma também proíbe que o contrato impeça o prestador de acessar as justificativas das glosas ou de contestá-las, e veda a glosa de procedimentos previamente autorizados e efetivamente realizados, salvo divergência técnica apontada em auditoria.

Na prática, o fluxo costuma seguir três etapas: identificação (a equipe de faturamento mapeia os itens glosados no demonstrativo de pagamento), análise técnica (verifica se a glosa procede ou se há base para contestação) e envio do recurso, com a documentação que sustenta o argumento — prontuário, laudos, prescrição, contrato.

Como evitar glosas: 10 orientações práticas

Confira o código TUSS antes de faturar. Use sempre a versão vigente na plataforma oficial da ANS, nunca uma planilha antiga salva no computador.

Confirme a autorização prévia. Procedimentos que exigem autorização da operadora não devem ser faturados sem o número de autorização correspondente.

Preencha a guia TISS por completo. Campos em branco, assinatura ausente ou dados divergentes do beneficiário são causas frequentes de glosa administrativa evitável.

Anexe a documentação clínica que sustenta o procedimento. Prescrição médica, laudo e evolução clínica reduzem o risco de glosa técnica.

Evite cobrança em duplicidade. Reforce a checagem antes do envio, especialmente em atendimentos com múltiplos profissionais envolvidos.

Respeite o prazo de validade da cobrança. Envie o faturamento dentro da janela definida em contrato com cada operadora.

Padronize o processo entre as equipes. Faturamento, auditoria interna e corpo clínico devem falar a mesma língua — literalmente, usando os mesmos códigos TUSS.

Monitore os motivos de glosa recebidos. Reconhecer os códigos da Tabela 38 mais recorrentes ajuda a identificar qual etapa do processo interno precisa de ajuste.

Não deixe de contestar. A RN 503/2022 garante o direito de acesso à justificativa e de recurso — glosas indevidas não devem ser simplesmente aceitas.

Revise contratos com operadoras periodicamente. Confirme se as hipóteses de glosa e os prazos de contestação estão claros e são cumpridos como previsto na norma.

Glosa, prontuário e registro assistencial

Boa parte das glosas técnicas só é revertida quando o prontuário sustenta o que foi cobrado. Evolução clínica bem registrada, justificativa de exames solicitados e prescrição legível reduzem a chance de glosa e, quando ela ocorre, fortalecem o recurso. Isso aproxima a rotina de faturamento do trabalho clínico: um registro assistencial completo não é só boa prática médica, é também proteção financeira para a instituição.

Glosa, almoxarifado e compras

Em hospitais e clínicas com internação, a glosa de materiais e OPME costuma nascer de uma divergência simples: o código TUSS usado na cobrança não corresponde exatamente ao material efetivamente utilizado, muitas vezes por desatualização no cadastro do almoxarifado. Manter o cadastro de materiais alinhado à Tabela 19 (Materiais, Órteses, Próteses e Materiais Especiais) da TUSS reduz esse tipo de glosa, que costuma ser silenciosa e recorrente.

Indicadores básicos de glosa

Taxa de glosa: percentual do valor faturado que é glosado em um período — o indicador mais geral para acompanhar a saúde do processo.

Taxa de reversão: percentual do valor glosado que é recuperado após recurso.

Glosa por operadora: permite identificar se um convênio específico glosa mais que os demais, sinalizando ponto de atenção contratual.

Glosa por motivo (código da Tabela 38): mostra quais causas mais se repetem, orientando onde investir em treinamento ou ajuste de processo.

Tempo médio de recurso: quanto tempo leva, em média, entre a identificação da glosa e a resolução do recurso.

Perguntas frequentes

O que são glosas?

Glosa é a recusa, total ou parcial, do pagamento de um procedimento faturado por um prestador de saúde a uma operadora de plano de saúde, geralmente por divergência entre o que foi cobrado e as regras contratuais ou de faturamento.

Quais são os 3 tipos de glosa?

Glosa administrativa (falhas formais, como código incorreto ou guia incompleta), glosa técnica (questionamento da pertinência clínica do procedimento) e glosa linear (corte percentual aplicado sem análise individual de cada item).

O que é glosa abusiva?

É a glosa aplicada sem justificativa individualizada ou sem respaldo contratual — como um corte linear sem análise item a item. A RN 503/2022 da ANS assegura ao prestador o direito de acessar as justificativas e contestar esse tipo de glosa.

O que significa a glosa "1705 Valor apresentado a maior"?

É um código da Tabela 38 (Terminologia de mensagens) do Padrão TISS, usado pela operadora para indicar que o valor cobrado pelo prestador está acima do valor de referência acordado para aquele item.

Como recorrer a uma glosa?

O prestador deve seguir o prazo de contestação definido em contrato com a operadora, reunindo a documentação que sustenta o procedimento (prontuário, laudos, autorização) e enviando o recurso conforme o processo estabelecido. A RN 503/2022 garante prazo de resposta da operadora igual ao prazo de contestação.

O que é glosa automática?

É a glosa aplicada por sistemas da operadora que verificam regras de faturamento de forma automatizada — como duplicidade de cobrança ou incompatibilidade de código — antes mesmo de uma análise humana.

Como evitar glosas?

Usando sempre o código TUSS vigente, confirmando autorizações prévias, preenchendo a guia TISS por completo e mantendo o prontuário e a documentação clínica alinhados ao que foi cobrado.

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