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Atualizado em
06/10/2026

O código TUSS de uma consulta médica não muda de acordo com a especialidade — ele muda de acordo com o tipo de atendimento. A consulta em consultório, no horário normal ou preestabelecido, usa o código 10101012 tanto para um cardiologista quanto para um dermatologista, pediatra ou ginecologista. O que muda por especialidade é o procedimento realizado depois da consulta, não o código da consulta em si.
Antes de falar de consultas, vale situar onde elas ficam dentro da estrutura da TUSS. As principais tabelas são:
• Tabela 18 — diárias, taxas e gases medicinais
• Tabela 19 — materiais, órteses, próteses e materiais especiais (OPME)
• Tabela 20 — medicamentos
• Tabela 22 — procedimentos e eventos em saúde, onde vivem os códigos de consulta
Dentro da Tabela 22, os códigos de consulta ficam no grupo "Procedimentos Gerais (Consultas)", que reúne desde a consulta em consultório até o atendimento ao recém-nascido em sala de parto.
Quando um médico atende um paciente e fatura essa consulta a uma operadora, o sistema de gestão da clínica (ou o próprio profissional, em consultório próprio) preenche a guia TISS com o código TUSS correspondente ao tipo de atendimento. A operadora reconhece esse código, verifica a cobertura do plano e processa o pagamento — ou aplica glosa, se algo estiver incorreto.
Esse é o código mais usado na rotina clínica, e é o mesmo para praticamente qualquer especialidade médica atendendo em consultório, no horário normal ou preestabelecido — cardiologia, dermatologia, pediatria, ortopedia, ginecologia, psiquiatria, urologia, entre outras. A tabela oficial do Padrão TISS lista as especialidades separadamente apenas para fins de organização e estatística (SIP/ANS), mas todas apontam para o mesmo código de procedimento.
Além dos tipos de consulta mais conhecidos, o grupo "Procedimentos Gerais (Consultas)" da Tabela 22 reúne outros atendimentos médicos que também valem a pena conhecer:
Código TUSS e Tipo de atendimento:
10101012 - Consulta em consultório (horário normal ou preestabelecido)
10101020 -Consulta em domicílio
10101039 - Consulta em pronto-socorro
10102019 - Visita hospitalar (paciente internado)
10103015 - Atendimento ao recém-nascido em berçário
10103023 - Atendimento ao recém-nascido em sala de parto (parto de baixo risco)
10103031 - Atendimento ao recém-nascido em sala de parto (parto de alto risco)
10104020 - Atendimento médico do intensivista em UTI geral ou pediátrica (plantão de 12 horas, por paciente)
10105077 - Acompanhamento médico em transporte intra-hospitalar de paciente grave, da UTI ao centro de diagnóstico
10106014 - Aconselhamento genético
10106030 - Atendimento ao familiar do adolescente
10106049 - Atendimento pediátrico a gestantes (3º trimestre)
10106073 - Junta médica (três ou mais profissionais), para esclarecimento diagnóstico ou decisão de conduta
10106103 - Perícia médica
10106146 - Atendimento ambulatorial em puericultura
• Clínica médica, cardiologia, dermatologia, endocrinologia: consulta em consultório sempre com o código 10101012 — a diferenciação de especialidade aparece nos exames e procedimentos solicitados depois, não na consulta em si.
• Pediatria (consulta de rotina): usa o mesmo código-base 10101012 em consultório.
• Pediatria neonatal: atendimento ao recém-nascido tem códigos próprios, que só existem nesse contexto — berçário (10103015) ou sala de parto, com variação para baixo (10103023) ou alto risco (10103031).
• Puericultura (acompanhamento preventivo infantil): código específico 10106146, diferente da consulta pediátrica de rotina.
• Ginecologia e obstetrícia: consultas de pré-natal em consultório usam o código-base 10101012; o atendimento pediátrico a gestantes no 3º trimestre, quando envolve avaliação conjunta com pediatra, tem código próprio (10106049).
• Psiquiatria: a consulta em consultório segue o mesmo código-base; sessões de psicoterapia, quando realizadas pelo próprio médico, têm código específico e costumam ser excludentes com a consulta no mesmo dia.
• Geriatria: consulta de rotina também usa o código-base 10101012 — a especialidade não altera o código de consulta.
• Genética médica: quando o atendimento é voltado a aconselhamento genético, e não a uma consulta clínica tradicional, usa-se o código específico 10106014.
• Medicina de família e comunidade: o atendimento voltado ao familiar do adolescente tem código próprio (10106030), distinto da consulta do próprio paciente.
• Medicina intensiva (UTI): o plantão do intensivista em UTI geral ou pediátrica usa o código 10104020, e o acompanhamento em transporte intra-hospitalar de paciente grave usa o 10105077 — nenhum dos dois é uma "consulta" no sentido tradicional.
• Medicina do tráfego e perícia médica: exames de aptidão física e mental (como para CNH) e avaliações periciais têm códigos próprios, fora do grupo de consultas clínicas comuns.
• Medicina legal e auditoria: a junta médica, usada para esclarecimento diagnóstico com três ou mais profissionais, tem código específico (10106073), diferente de qualquer consulta individual.
• Plantão em pronto-socorro (qualquer especialidade de urgência): usa o código 10101039, independentemente da especialidade do plantonista.
• Visita hospitalar (qualquer especialidade que acompanha paciente internado): usa o código 10102019, novamente sem variação por especialidade.
• Telemedicina e teleconsulta (qualquer especialidade): não existe código TUSS próprio para o atendimento remoto. A ANS optou por manter os mesmos códigos da consulta presencial e apenas identificar o canal usando o termo "Telessaúde", registrado na Tabela 50 (Terminologia de Tipo de Atendimento) — outro erro comum é achar que teleconsulta tem codificação de procedimento diferente da presencial.
A adoção do Padrão TISS — e, dentro dele, da TUSS — é obrigatória para operadoras de planos privados e prestadores de serviços de saúde, conforme a Resolução Normativa nº 501/2022 da ANS. O descumprimento do padrão ou dos prazos de implantação configura infração administrativa, sujeita às penalidades previstas na Resolução Normativa nº 489/2022. Na prática, além do risco regulatório, uma clínica que não usa os códigos corretos da TUSS enfrenta glosas recorrentes, já que a operadora simplesmente não reconhece cobranças fora do padrão.
Quer saber mais? Aproveite para ler outros artigos no nosso blog:
• Tabela TUSS: o que é, como consultar a versão atualizada | Blog IDOMED
• Como Consultar a Tabela TUSS Passo a Passo | Blog IDOMED
• TUSS na Prática: Faturamento Médico para Quem Está se Formando
Não. A consulta em consultório usa o mesmo código (10101012) para praticamente todas as especialidades clínicas. O que muda é o tipo de atendimento — consultório, domicílio, pronto-socorro — não a especialidade do médico.
10101020, independentemente da especialidade do profissional que realiza o atendimento.
10101039, usado para atendimentos de urgência e emergência em pronto-socorro.
Sim. Além do código-base de consulta em consultório, existem códigos específicos para atendimento ao recém-nascido em berçário (10103015) e em sala de parto, com variação para parto de baixo (10103023) ou alto risco (10103031).
Ela descumpre uma obrigação regulatória prevista na RN 501/2022 da ANS, sujeita a penalidades administrativas, além de enfrentar glosas recorrentes por parte das operadoras, já que cobranças fora do padrão simplesmente não são reconhecidas.