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Atualizado em
09/10/2026

TISS e TUSS não são a mesma coisa, mas trabalham sempre juntos. O TISS (Troca de Informação de Saúde Suplementar) é o padrão que rege como prestadores e operadoras trocam dados eletronicamente. A TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) é um dos componentes desse padrão: o vocabulário — os códigos e nomes padronizados — que preenche essas trocas de informação. Em outras palavras, o TISS é o sistema de comunicação; a TUSS é a linguagem usada dentro dele.
O Padrão TISS é estabelecido pela ANS por meio da Resolução Normativa nº 501/2022 e define como os dados de atenção à saúde dos beneficiários de planos privados devem circular entre operadoras, prestadores de serviços de saúde, contratantes e a própria ANS. Ele é dividido em cinco componentes: organizacional, conteúdo e estrutura, representação de conceitos em saúde (onde vive a TUSS), segurança e privacidade, e comunicação.
Segundo o Art. 3º da RN 501/2022, o Padrão TISS tem três finalidades:
• Padronizar as ações administrativas de verificação, solicitação, autorização, cobrança, demonstrativos de pagamento e recursos de glosas.
• Subsidiar as ações da ANS de avaliação e acompanhamento econômico, financeiro e assistencial das operadoras.
• Compor o registro eletrônico dos dados de atenção à saúde dos beneficiários.
Além disso, o Art. 2º estabelece que o Padrão TISS tem por diretriz a interoperabilidade entre os sistemas de informação em saúde da ANS e do Ministério da Saúde, e a redução da assimetria de informação para o beneficiário do plano.
A TUSS é, tecnicamente, o "componente de representação de conceitos em saúde" do Padrão TISS (Art. 11º da RN 501/2022): o conjunto de termos usados para identificar eventos e itens assistenciais na saúde suplementar — procedimentos, exames, materiais e medicamentos. Ela existe para que prestadores e operadoras usem exatamente o mesmo nome e código para a mesma coisa, eliminando ambiguidade na comunicação.
• Tabela 18 — diárias, taxas e gases medicinais
• Tabela 19 — materiais, órteses, próteses e materiais especiais (OPME)
• Tabela 20 — medicamentos
• Tabela 22 — procedimentos e eventos em saúde
• Tabelas de procedimentos odontológicos, com base na CBHPO
Compete à ANS estabelecer a TUSS e suas atualizações (Art. 12º da RN 501/2022), com apoio de entidades de referência — como a Associação Médica Brasileira, responsável pela CBHPM que serve de base à Tabela 22. A inclusão de novos termos passa pela análise do Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPISS) e pela área de padronização e interoperabilidade da ANS.
Um detalhe pouco conhecido: enquanto um termo novo aguarda a inclusão oficial na TUSS, a operadora pode criar um código provisório em tabela própria (Art. 13º) — mas, assim que isso acontece, ela é obrigada a solicitar a inclusão desse termo na TUSS à ANS, e não pode manter o código próprio depois que o prazo de implantação do termo oficial se encerrar.
• Menos glosas administrativas: com um vocabulário único, erros de nomenclatura e divergência de código deixam de ser motivo de recusa de pagamento.
• Comunicação mais rápida entre setores: faturamento, auditoria e corpo clínico passam a falar a mesma língua técnica.
• Interoperabilidade: sistemas de gestão diferentes conseguem trocar dados sem retrabalho manual de tradução entre nomenclaturas.
• Mais transparência para o beneficiário: a redução da assimetria de informação é um dos objetivos formais do padrão, previsto no Art. 2º da RN 501/2022.
• Base para auditoria e fiscalização: o registro eletrônico padronizado facilita o acompanhamento da ANS sobre o setor.
A Resolução Normativa nº 501/2022 estabelece o Padrão TISS — e, por consequência, a TUSS — como obrigatório para operadoras e prestadores de serviços de saúde na troca eletrônica de dados assistenciais. O descumprimento do padrão ou dos prazos estabelecidos configura infração administrativa, conforme os artigos 27 e 28 da própria resolução, sujeita às penalidades previstas na Resolução Normativa nº 489/2022.
Sim, para os agentes definidos no Art. 4º da RN 501/2022: operadoras de planos privados, prestadores de serviços de saúde, contratantes de planos coletivos ou individuais, beneficiários (ou seus representantes) e a própria ANS. A troca de dados deve ser sempre eletrônica e na versão vigente do padrão (Art. 7º).
Na prática, o preenchimento de uma guia TISS envolve identificar corretamente o beneficiário e sua elegibilidade, selecionar o código TUSS correspondente ao procedimento, exame ou material utilizado, indicar autorização prévia quando exigida, e enviar a guia eletronicamente — hoje, por webservice ou pelo Portal TISS disponibilizado pela operadora (Art. 15º e 16º da RN 501/2022). O passo a passo detalhado de consulta aos códigos está no nosso guia "Como consultar a Tabela TUSS passo a passo".
Sistemas de gestão médica atualizados automaticamente reduzem o principal risco operacional da TUSS: o uso de um código desatualizado. Soluções mais recentes usam inteligência artificial para sugerir o código TUSS mais provável a partir da descrição do procedimento em linguagem natural, sinalizar antes do envio quando uma combinação de código e autorização parece inconsistente, e até identificar padrões em glosas recebidas para apontar qual etapa do processo interno costuma gerar mais recusas. Isso não substitui o conhecimento da equipe sobre a tabela, mas reduz o volume de erros manuais que hoje são a principal causa de glosa administrativa.
Quando o sistema de gestão de uma clínica integra as duas camadas — o formato de envio (TISS) e o vocabulário de códigos (TUSS) — o faturamento deixa de depender de preenchimento manual repetido. O procedimento realizado já nasce vinculado ao código correto, a guia é montada automaticamente no formato esperado pela operadora, e o tempo entre o atendimento e o envio do faturamento cai — o que também reduz o risco de cobrança fora do prazo de validade, uma das causas comuns de glosa.
• Uma consulta em consultório é registrada com o código TUSS 10101012 e enviada dentro de uma guia no formato TISS para a operadora do paciente.
• Uma cirurgia que exige órtese é faturada com o código do procedimento (Tabela 22) e o código do material (Tabela 19, OPME) na mesma guia, cada um seguindo sua própria tabela dentro da TUSS.
• Quando a operadora recusa o pagamento de um exame, ela devolve o motivo usando um código da Tabela 38 (motivos de glosa) — outro componente da mesma lógica de padronização do TISS.
Quer saber mais? Aproveite para ler outros artigos no nosso blog:
• Tabela TUSS: o que é, como consultar a versão atualizada | Blog IDOMED
• Como Consultar a Tabela TUSS Passo a Passo | Blog IDOMED
• TUSS na Prática: Faturamento Médico para Quem Está se Formando
É o padrão obrigatório, estabelecido pela ANS, que rege a troca eletrônica de dados de atenção à saúde entre operadoras, prestadores e beneficiários de planos privados de saúde.
É o componente do Padrão TISS que reúne os termos e códigos padronizados usados para identificar procedimentos, exames, materiais e medicamentos na saúde suplementar.
A ANS, com apoio de entidades de referência como a Associação Médica Brasileira e a análise do Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPISS) para novos termos.
Sim, para operadoras de planos privados e prestadores de serviços de saúde, conforme a Resolução Normativa nº 501/2022 da ANS.
Redução de glosas administrativas, comunicação padronizada entre setores, interoperabilidade entre sistemas de gestão e mais transparência de informação para o beneficiário.